
Tem sido bastante evidenciado que toda a economia sofre impactos significativos com a queda da produção e com a paralisação das atividades de venda e prestação de serviços. Com os números de casos cada vez mais em ascensão e com a necessidade cada vez mais imediata do isolamento social para desacelerar a curva de contágio do novo corona vírus, diversas formas de trabalho estão sendo inviabilizadas. Dados do Sebrae apontam que o Brasil possui mais de 24 milhões de mulheres empreendedoras, em diversos ramos e segmentos e que mais da metade desse total são mulheres responsáveis ativamente e autonomamente pela renda principal de suas famílias. Então, porque devemos nos preocupar e discutir a geração de renda para essas mulheres num momento de pandemia a partir do locus dos pequenos empreendimentos e coletivos femininos?
Os coletivos e os movimentos autônomos, que buscam articular produtores, micro empreendedores, artesãos e empreendimentos criativos que pensam a economia a partir de uma visão mais localizada e colaborativa, tem sido fundamentais para fomentar neste momento de pandemia não só o consumo local e regional, mas sobretudo pensar numa forma de consumo que gere prioritariamente impactos diretos para todas as pessoas que estão no comando destes tipos de empreendimentos. No caso da Rede Colmeia, prioritariamente as mulheres. A solidariedade, que aparece hoje como um dos motores para o enfrentamento das crises que se projetam, é um dos motores desses coletivos. Pois pensam a partir da conexão entre formas de cooperação que impulsionam a construção e o fomento de redes de consumo conscientes, justas e sustentáveis.
Valorizar e contribuir com tais iniciativas é uma forma de reconectar, sobretudo no atual momento em que vivemos, necessidades diárias individuais, de consumo, de trabalho e de organização, com necessidades políticas, sociais e principalmente, de gênero. Elevando as discussões contra a exploração do trabalho humano na sociedade capitalista e como forma de reorganizar as relações sociais para que as mulheres – que estiveram à margem das relações de trabalho -, a natureza, - que esteve sucumbida pelas necessidades da sociedade mercantil - , e aos a todas as pessoas de uma forma geral e integral, possam retornar para seus eixos comunitários, familiares, artesanais e colaborativos. Para movimentar, criar e pensar formas de desacelerar o aprofundamento das desigualdades e garantir a manutenção de suas formas de existir e comercializar de forma humanitária.
Este texto é sobretudo um convite. Para que a gente reflita sobre as nossas escolhas de consumo, sobre as nossas escolhas de produção, e para difundir a importância de se organizar coletivamente para assegurar que em tempos de crise, como estamos vivendo, possamos sempre contar uns com os outros.
Ajude a fortalecer as redes solidárias. Consuma produtos das abelhas da Rede Colmeia de Mulheres!
Por Lyvia Leite da Canirim
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