
O upcycling é um método de produção que consiste em reaproveitar objetos e materiais já existentes, que estão em desuso ou sobrando, e que muito provavelmente seriam descartados.
Esse processo não é novo. Em tempos não tão longínquos, era comum ver um vestido que ficava apertado ser transformado em saia, ou até um tecido gasto ser usado pelo avesso. Mas os nossos modos de produção e consumo mudaram bastante. Hoje, estamos na era do descartável, dos objetos de curta duração e da obsolescência programada. A sociedade de consumo em massa se estabeleceu impactando as relações de mercado, de trabalho e com o meio ambiente.
Anualmente, toneladas e mais toneladas de produtos jogados fora enchem os aterros do mundo inteiro, poluem solos, oceanos e lençóis freáticos, abalando talvez permanentemente nossos ecossistemas. Vale lembrar que não existe “fora”.
Quando se trata da moda, todo ano, em torno de cinco milhões de toneladas de roupas são produzidas, e quatro milhões são jogadas fora, entre tecidos usados e novos. Os números são assustadores. E uma pergunta se impõe: será que precisamos do tanto que compramos? Dela, derivam vários outros questionamentos: como escolher melhor aquilo que eu compro; como fazer durar mais; de onde vêm minhas peças; por quem foram feitas? Questionar assim pode nos levar muito longe e é um despertar de consciência que não tem volta.
Na sequência da crise econômica de 2008 e diante o desafio das mudanças climáticas, o processo de upcycling tem ganhado força e espaço, assim como aceitação comercial. A técnica consiste em, com criatividade, dar um novo e melhor propósito para um material que seria descartado, sem degradar sua qualidade e composição. Um item que passou pelo upcycle frequentemente possui uma qualidade igual ou superior que a de seu original.
Ao contrário da reciclagem, no upcycling não existe um processo industrial de transformação do material que geraria altas demandas energéticas ou de recursos. Neste sentido, podemos falar que o processo de upcylcing se encaixa no modelo de economia circular.
Por Ana Melo e Sandra Tournier, criadoras da D·Ridá
Imagem: D-Ridá
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